Hannah Arendt escreve o livro “O que é política?” sob um contexto conturbado. Com a Guerra Fria no auge, a ameaça nuclear pairava sobre a humanidade. Bastava um aperto em um botão, e a vida humana estaria condenada para sempre.Talvez , para Arendt , isso só não era mais chocante , por que ela já tinha estado sob condição de igual horror: ser judia em plena Alemanha Nazista.Ela pode perceber um Estado Genocida , a serviço de eliminar etnias e qualquer oposição. Visto esse panorama, é inegável que se comece a perguntar “A política faz algum sentido?”
A autora, então, faz um histórico da reação entre política e liberdade, mostrando suas modificações no passar do tempo. Arendt começa na pólis gregas, de onde surgiu o termo “politikon”, que segundo Aristóteles, era a “organização da pólis”. Pólis eram as cidades-estado gregas. Aristóteles definiu que a organização da pólis representava “a forma mais elevada do convívio humano” A autora diz que o que mais distinguia essa forma de convivência das outras era a liberdade. Mas, para ser livre, era preciso se libertar: Não podia estar subordinado a outros, como um escravo. Também, não podia depender do seu trabalho para o seu sustento. Para ser livre, era preciso o ócio. E, para o ócio, era preciso a sociedade escravagista. Com os escravos preocupados com as necessidades da vida diária, tinha-se tempo para a política. “A libertação pré-pólis permitia a liberdade na pólis”.
Liberdade: nesse contexto, tinha dois sentidos: O não-ser dominado (sentido negativo) e “espaço produzido por muitos”(sentido positivo).Sobre esse ultimo sentido , está ideia de todos os “libertos” se reunirem para discutir as ações da pólis, ou seja a organização da pólis.Era uma conversa entre iguais. Só era política o que era decido em comum. Assim, nesse momento, para ser político era necessário ser livre, mas segundo a própria autora, não era o fim da política. (“[...] entendermos liberdade como algo político, e não como objetivo mais elevado do meios politico [...]”)
Esses conceitos mudaram com Platão. Para ele, a liberdade não era aquilo definido pela pólis. Inclusive, Platão combatia a “pólis”. Em oposição dessa , surge a Academia. Assim, liberdade era a “liberdade acadêmica”. A liberdade para filosofar , buscar o conhecimento , libertar a alma.Para isso , a filosofia ditaria a ações e a própria Política. Ela garantiria a obediência da maioria “trabalhadora” com a minoria acadêmica . Política não era mais as decisões –comuns dos homens-livres da pólis. O seu novo objetivo era a manutenção da vida , e com isso , suas preocupações era a administração e a defesa militar contra ataques externos. Inicia-se a dissociação política e liberdade , apesar que a política ainda tinha o objetivo de garantir a liberdade acadêmica.
Com o advento do Cristianismo, nota-se em seu início um certo afastamento do espaço público pelos cristãos primitivos.Isso mudará com Santo Agostinho.Ele conceberá a idéia que política “ é um meio para objetivos mais elevados” , no caso a liberdade política. Essa liberdade não era mais uma questão da minoria, mas da maioria, No entanto, essa maioria não devia se preocupar, pois uma minoria capaz teria assumido o fardo da organização política, por amor ao próximo.
Depois, passados séculos de mudança, chega-se aos séculos XIX e XX. O objetivo da política, agora, era garantir a manutenção da vida e da propriedade.A preocupação não é mais com a liberdade , mas coma a necessidade. O Estado é um mal-necessário que deveria garantir isso.Primeiro , a vida , depois , a liberdade.
No entanto, isso resulta num paradoxo. Se a política é o meio para a conservação e fomento da vida em sociedade, o que explicaria o Totalitarismo e a meça nuclear no século XX? Por que a política produziu essas grandes ameaças a vida humana?
Assim, é desse paradoxo que se conclui, que nessa situação, a política perdeu o sentido. Ela não garante mais a liberdade ou a manutenção da vida , ao contrário , é ameaça às duas. Hannah Arendt chega ao extremo de dizer que ou se elimina a vida ou se elimina a política. Compreende-se que é difícil entender isso com vinte anos sem ameaças nucleares graves. Mas, sob contexto apocalíptico da Guerra Fria, é perfeitamente entendível.
Comparando-a com uma autor citado por ela, Hobbes , pode-se observar duas coisas.Primeiro , ela apóia a idéia hobbesiana de que política não é algo natural ao homem.Segundo , Hobbes diz que o objetivo do Estado Absoluto , Leviatã , era evitar a morte violenta das pessoas da sociedade. Se isso não ocorresse, o Estado perdeu sua função e poderia deixar de existir. De forma análoga,Arendt diz que se a política não garante a manutenção da vida , ela perde sua função e sentido , sendo melhor deixar de existir.
Conclui-se que com o fim da Guerra Fria, a política, talvez , tenha sentido novamente.Mas , é certo que a experiência do século passado , do poder destrutivo da política , faz que se tome cuidado com a coisa política.
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Disciplina:Teoria Geral do Estado
Feito no 2º Período
Nota: 9.9/10
Relevância: alta
Extensivo
Pergunta: Politica em Hannah Arendt
Obs: elogiadíssimo pelo corretor
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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